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Este artigo foi escrito de uma perspectiva de fora do universo.
Ygritte: "É assim que o seu povo luta? Marcham pela estrada tocando tambores e agitando estandartes?"
Jon Snow: "Na maioria das vezes, sim."
Ygritte: "Como os homens que carregam os estandartes lutam?"
Jon Snow: "Não lutam, na verdade. É uma grande honra carregar o símbolo de sua casa."
Jon Snow explica para Ygritte, uma selvagem, a importância da heráldica nos Sete Reinos.[fonte]

As diversas casas nobres dos Sete Reinos usam heráldicas distintas para identificar famílias e indivíduos. Esses aparatos heráldicos também são carregados por exércitos no campo de batalha como um sinal de status, bem como de lealdade a essas casas nobres.

Os desenhos heráldicos podem variar bastante. Eles podem consistir em um padrão de cores simples, mas normalmente apresentam animais (tanto reais quanto mitológicos) e/ou objetos físicos. Conjuntos específicos de regras definem quais formas o desenho de uma heráldica podem assumir.

Apenas membros de famílias nobres têm o direito legal de exibir formalmente sua própria heráldica, embora os cavaleiros também ganhe esse direito após a concessão de seu título – quando um plebeu ou mero mercenário recebe o grau de cavaleiro (mesmo se for um cavaleiro andante pobre sem terra nem direito de julgar), ele se torna legalmente um "membro da nobreza" e pode inventar sua própria heráldica pessoal. Os seguidores de uma casa nobre também podem exibir a heráldica dessa família (ou seja, os soldados dos Lannister podem carregar estandartes com o brasão Lannister), mas é ilegal para os plebeus inventar e usar sua própria heráldica.

A heráldica de cada casa nobre é acompanhada por um conjunto específico de palavras, ou "lema", que seja exclusivo da casa em questão. Eles geralmente assumem a forma de vanglórias ou gritos de guerra, como "Nossa é a fúria!", da Casa Baratheon, ou "Família, dever, honra", da Casa Tully. A Casa Stark é uma grande exceção, uma vez que seu lema não é uma ostentação, mas sim o aviso ameaçador de que "O inverno está chegando". Os lemas das casas geralmente não aparecem na heráldica, tanto nos livros quanto na série de TV.

Heráldica em Westeros e no mundo real

Na Idade Média da vida real, um conjunto formal de regras regia os desenhos de heráldica:

As cores usadas nos brasões são formalmente conhecidas como "esmaltes", sendo divididas em três categorias básicas: "cores", "metais" e "peles".

  • Vermelho, verde, azul, roxo e preto são considerados "cores". Algumas outras cores, como marrom, foram adicionadas nos séculos posteriores à medida que novas tintas ficavam disponíveis na Europa medieval.
  • Os dois "metais" são ouro e prata, embora esses termos abranjam um espectro de matizes: dourado, laranja e amarelo são todos considerados ouro, enquanto branco e cinza são considerados prata.
  • "Peles", como arminho e veiro, são tecnicamente padrões, não cores únicas, mas são arbitrariamente agrupadas como cores e metais como um subconjunto de "esmaltes". Arminho deve assemelhar-se ao padrão de cauda de um furão (especificamente a pelagem de inverno de um furão, conhecida como arminho) e veiro deve assemelhar-se à coloração da barriga de um tipo de esquilo.
  • Cada esmalte é composto oficialmente por um tom específico, sem variações; ou seja, só pode ser usado um tom de azul, sem variação entre azul claro e azul escuro (que são rótulos bastante arbitrários).

A norma mais importante da heráldica é a regra de esmalte:

Nunca se deve sobrepor metal sobre metal, nem cor sobre cor.

Segundo essa diretriz, uma representação não pode ser metade vermelha e metade azul, nem metade ouro e metade prata. A título de exemplo, o emblema da Casa Lannister é um leão dourado (metal) sobre um campo vermelho (cor). Não seria permitido ter um leão dourado sobre um fundo prateado, porque prata também é um metal. Aparentemente, isso acontece porque espera-se que os brasões ajudem a identificar exércitos diferentes no campo de batalha, devendo ser facilmente distinguíveis à primeira vista.

No entanto, a regra possui uma brecha importante: um objeto pode ser retratado de forma "natural" – usando a cor que possui na natureza – independentemente de quais outros esmaltes está tocando. Isso permite explicitamente que o animal ou objeto representado em um desenho heráldico viole a regra de esmalte. Por exemplo, o selo da Casa Stark é um lobo gigante cinza sobre um campo branco, o que normalmente violaria a regra de "não sobrepor metal sobre metal" (já que branco e cinza são considerados prata). Contudo, como os lobos gigantes são cinzas na natureza, eles estão apenas sendo representados "de sua própria cor". Por outro lado, ainda seria uma violação da regra de esmalte colocar um lobo gigante roxo sobre um fundo azul, porque lobos gigantes nunca são roxos na natureza e não se pode dizer plausivelmente que ele está na cor "natural".

Um problema apresentado nos livros de As Crônicas de Gelo e Fogo e na série de TV Game of Thrones é que existe uma terminologia específica usada na heráldica – descrevendo os diferentes esmaltes e padrões de desenho – e essa terminologia só existe em francês. Os nomes oficiais para os vários esmaltes são: gules (vermelho), vert (verde), azure (azul), purpure (roxo), sable (preto), or (ouro) e argento (prata). Uma vez que o idioma francês não existe dentro deste mundo fictício, não seria lógico usar essa terminologia da vida real. Por exemplo, ninguém dentro da narrativa diria a Tywin Lannister que o selo de sua casa é "gules, um leão or".

Versões diferentes de desenhos heráldicos podem ser ajustadas nos espaços disponíveis de vários objetos, como bandeiras ou armaduras. Contudo, como esses desenhos foram pintados originalmente em escudos, a forma oficial de uma peça heráldica em geral é no formato de um escudo. Essa é a prática na maioria dos Sete Reinos, com a principal exceção sendo Dorne: as táticas militares nos desertos de Dorne favorecem ataques relâmpagos, em oposição às colunas de cavaleiros lentos com armaduras volumosas, que logo sofreriam com a falta de água. Assim, em vez de usar os escudos completos de cavaleiros pesados, os dorneses preferem cavaleiros móveis com pouca armadura que lutam com escudos pequenos e arredondados. Isso se reflete nos brasões das casas nobres de Dorne, que oficialmente têm o formato de um círculo perfeito, não de um escudo.

Filhos mais novos, variações e selos pessoais

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O brasão de armas pessoal de Brynden Tully.

Os filhos mais novos de casas nobres podem preferir usar seus próprios selos pessoais, que costumam ser uma ligeira variação dos símbolos oficiais de sua casa. Às vezes, até o filho mais velho e herdeiro ou o atual senhor podem ter seu próprio selo pessoal – isso é simplesmente uma questão de preferência.

A título de exemplo, embora o símbolo oficial da Casa Tully seja um peixe prateado sobre um campo vermelho e azul, Brynden "Peixe Negro" Tully usa uma variante como seu selo pessoal, a qual contém um peixe negro (fazendo referência ao seu apelido).

O selo pessoal de Euron Greyjoy na série de TV tem duas variações: uma é o símbolo padrão dos Greyjoy, com uma lula-gigante dourada sobre um campo preto, mas com um olho vermelho gravado na cabeça da lula-gigante. O outro é uma lula-gigante prateada com um olho vermelho sobre um fundo preto (essa é uma simplificação do selo pessoal mais complexo de Euron nos livros)

Bastardos

Os filhos bastardos reconhecidos de um nobre não são legalmente autorizados a carregar oficialmente o brasão da Casa de seu pai nobre. No campo de batalha, podem carregar um estandarte ou usar armas e equipamentos que apresentem o símbolo heráldico, mas apenas o que um soldado comum no exército de seus pai nobre possa fazer. Se um bastardo reconhecido de nascimento nobre começar a exibir abertamente o símbolo da Casa de seu pai, especificamente como uma representação dele próprio, enfrentaria problemas legais e punições.

Antes de entrar na Patrulha da Noite e abandonar todos os laços familiares, Jon Snow era proibido de "carregar" e exibir oficialmente o brasão dos Stark, com um lobo gigante cinzento em um fundo branco. Um dos vassalos da Casa Stark, como Sor Rodrik Cassel, poderia segurar um estandarte que exibisse o símbolo dos Stark, assim como um soldado comum de seu exército, então Jon pode ter carregado armas ou equipamentos com o lobo gigante Stark. Entretanto, ele não tinha permissão para usar o brasão dos Stark como uma representação dele mesmo, porque isso faria basicamente a falsa alegação de que ele é um filho legitimado e não carregava mais a vergonha da bastardia.

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O brasão da Casa Targaryen é um dragão de três cabeças, vermelho sobre negro.

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A Casa Blackfyre, fundada por um bastardo da Casa Targaryen, segue o costume dos bastardos ao inverter as cores Targaryen, resultando em um dragão negro sobre um fundo vermelho.

Bastardos de origem nobre estão em uma posição social entre os nobres de alto nascimento e os plebeus. Entretanto, ao contrário dos plebeus, os bastardos reconhecidos podem exibir seus próprios brasões – apenas não o da Casa de seu pai nobre. Uma prática muito comum em Westeros é que bastardos usem a heráldica da Casa de seu pai nobre com as cores invertidas (o que é conhecido como "quebrar" o esquema do desenho). Nem os livros nem a série de TV retrataram Jon Snow usando esse tipo de brasão antes de entrar na Patrulha da Noite, mas, caso ele tivesse seguido esse costume, seu símbolo pessoal seria um lobo gigante branco sobre um fundo cinzento, o inverso das cores Stark. Portanto, a descoberta dos seis filhotes de lobo gigante por Ned Stark e seus filhos é considerada ainda mais um sinal dos Deuses Antigos: não apenas havia duas fêmeas e quatro machos (coincidindo com os filhos Stark), mas o sexto era um albino – lembrando fisicamente o desenho do lobo gigante branco que Jon usaria como seu brasão pessoal. Isso ganhou um simbolismo ainda maior quando Lorde Wyman Manderly apelidou Jon de o "Lobo Branco" durante sua eleição como o novo Rei do Norte. Embora pudesse não estar ciente desse costume, o filho bastardo de Robert Baratheon, Gendry, acabou o seguindo quando fabricou para si mesmo um martelo de batalha; além de ser a arma preferida de seu pai, o topo do martelo era feito de metal negro e adornado com a cabeça de um veado em dourado (as cores invertidas do símbolo Baratheon).

Um dos exemplos mais notórios da heráldica bastarda é a Casa Blackfyre, uma ramificação da Casa Targaryen. Fundada por Daemon Blackfyre (um filho bastardo do Rei Aegon IV) mais de um século antes da Guerra dos Cinco Reis, o nome vem da espada de aço valiriano que pertenceu originalmente a Aegon, o Conquistador. Quando foi legitimado, Daemon seguiu o costume dos bastardos e inverteu o esquema de cores do brasão Targaryen; em vez do dragão de três cabeças vermelho sobre um fundo negro, o símbolo da Casa Blackfyre consistia de um dragão de três cabeças negro sobre um fundo vermelho.

Exceções a heráldica

Patrulha da Noite

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O "uniforme" da Patrulha da Noite é de preto sólido, simbolizando a ausência de heráldica.

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Aqueles que fazem os votos da Patrulha rejeitam todos os brasões.

A Patrulha da Noite não tem símbolo heráldico, enfatizando seu dever jurado de não se envolver em disputas políticas, e sim de defender os reinos dos homens como um todo. Os estandartes e escudos da Patrulha são de preto sólido, simbolizando o apagamento de qualquer aliança baseada em Casas. Mesmo o "uniforme" da Patrulha da Noite consiste em roupas de preto sólido – daí deriva a frase "vestir o negro" como um eufemismo para ingressar na ordem. Membros de famílias mais ricas costumam comprar roupas totalmente pretas antes de partir para a Muralha, enquanto recrutas mais pobres simplesmente têm suas vestes pintadas de preto ao chegar lá (roupas que nem sempre são adequadas para o clima frio). O preto sólido denota especificamente a rejeição a escudos, sendo não um "símbolo" que os representa, mas a ausência de um. Até os selos em mensagens enviadas pela Patrulha da Noite são feitos apenas de cerca preta, sem símbolo neles. Os selvagens começaram a chamar os membros da Patrulha da Noite de "corvos", por estarem cobertos de preto assim como a ave, mas isso é apenas um apelido – embora também tenha se espalhado ao sul da Muralha, pois recrutadores viajantes da Patrulha da Noite, como Yoren, costumam ser chamados de "corvos errantes".

Os artigos relacionados à Patrulha da Noite na Game of Thrones Wiki utilizam o ícone do corvo negro usado para a Patrulha da Noite e personagens associados no HBO Viewer's Guide, mas apenas porque se tornou muito confuso usar um ícone de navegação de preto sólido em artigos diferentes. O ícone do corvo negro do site da HBO não é canônico e nunca foi realmente usado dentro da história.

Guarda Real

Jaime kingsguard promo

A Guarda Real é conhecida por suas capas brancas e armaduras douradas. Nesta foto da 1ª temporada, Jaime usa o símbolo da Guarda Real em seu peitoral.

Os membros da Guarda Real são conhecidos por suas capas brancas e armaduras douradas com detalhes brancos esmaltados. Nos livros, quando membros individuais da Guarda Real participam de eventos privados, como torneios, eles carregam apenas símbolos de branco sólido em seus escudos e estandartes. De fato, apenas membros da Guarda Real têm o direito legal de carregar escudos e estandartes estampados com uma heráldica toda branca. Um tanto como a Patrulha da Noite, eles renunciam formalmente a suas alianças políticas e familiares quando se juntam à ordem. Entretanto, ao contrário da Patrulha da Noite, os estandartes totalmente brancos da Guarda Real não são considerados tecnicamente uma rejeição ou ausência de heráldica, diferentemente do que acontece com o preto da Patrulha.

A Guarda Real como instituição, porém, possui um símbolo: uma coroa de três pontas feita de espadas, representando a coroa do Rei dos Ândalos e dos Primeiros Homens. Esse desenho está gravado em suas armaduras e aparece em seus estandartes quando estão liderando os exércitos do rei na guerra, agindo oficialmente em nome do Exército Real.

Jaime Lannister Season 4

Jaime na 4ª temporada, usando a nova variante do símbolo da Guarda Real em seu peitoral, uma coroa feita de três espadas.

Os livros deram declarações conflitantes sobre o símbolo da Guarda Real, dizendo às vezes que seus membros são os únicos em Westeros legalmente autorizados a exibir brasões de branco sólido, mas outras vezes também alegando que o símbolo "da Guarda Real" é uma coroa dourada cercada por sete espadas de prata sobre um campo branco. A explicação aparente é de que a coroa e espadas são o símbolo da Guarda Real como instituição, mas que seus membros exibem brasões totalmente brancos quando não estão representando o rei, como em torneios, visto que renunciaram formalmente a suas alianças familiares anteriores. Nos livros, Jaime Lannister violou esse princípio de forma flagrante ao usar uma armadura decorada com os leões dourados dos Lannister enquanto estava na Guarda Real de Robert, apesar de vários personagens ressaltarem que ele não poderia fazer isso (Robert não pode reclamar, pois depende do suporte financeiro do pai de Jaime).

A série de TV modificou o "símbolo institucional da Guarda Real" em relação aos livros, e essa modificação sofreu variações ao longo da série. Quando estreou, na 1ª temporada, ele apareceu como uma coroa de três pontas sem espadas. Isso continuou até a 4ª temporada, quando, sem explicação, toda a Guarda Real passou a usar um novo símbolo com uma coroa de três pontas formada por três espadas entrelaçadas. O símbolo não mudou dentro do universo, e sim sofreu um retcon: até as gravuras na Torre da Espada Branca e no Livro dos Irmãos (um livro de décadas) aparecem com o novo símbolo. A série de TV também não estabeleceu diretamente que a Guarda Real é o único grupo autorizado a exibir brasões totalmente brancos em torneios.

Norte

Heráldica é uma arte associada diretamente ao grau de cavaleiro, que foi introduzido a Westeros pelos ândalos há seis mil anos. Os guerreiros nortenhos não são tão chamativos quanto os cavaleiros sulistas, precisando ser severos e austeros para sobreviver aos invernos duros do Norte. Alguns brasões do sul de Westeros chegam a ser muito ornamentados, o que os nortenhos veem como frívolo. Como resultado, George R.R. Martin intencionalmente tornou a heráldica no Norte menos complexa do que no sul de Westeros.

Vale de Arryn

O Vale de Arryn foi o primeiro lugar em Westeros a ver a chegada dos ândalos, há seis mil anos, e o grau de cavaleiro tem sido uma força fundamental na região desde então. Muitas Casas nobres do Vale valorizam suas ascendências ândalas puras e os Cavaleiros do Vale são lutadores famosos nos Sete Reinos.

Terras Fluviais

Terras Ocidentais

Terras da Coroa

Ilhas de Ferro

Terras da Tempestade

Campina

Dorne

Fora dos Sete Reinos

Bastidores

Nos livros

Ver também

Referências

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